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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Saber popular levado a sério na UFPB

Funcionários da universidade tem sido frequentes colaboradores de professores em pesquisas científicas. 





No mundo acadêmico, pessoas anônimas, muitas vezes analfabetas, se tornam peças chaves para o desenvolvimento das pesquisas científicas. Prestadores de serviços da UFPB têm surpreendido mestres e doutores com suas criações intuitivas, essenciais para respostas precisas da ciência. Sem nunca ter assinado o próprio nome, Jorge da Silva Lima, 31, - serviços gerais do Departamento de Geografia do Campus de João Pessoa - é um exemplo heróico de contribuição à educação científica no universo acadêmico.

Ele aperfeiçoou um paquímetro, régua para medição do tronco das árvores. O equipamento estava irregular devido uma falha em sua estrutura interna. Jorge observou o problema e logo trouxe a solução. Criou uma barra de paralelo formando uma curva de 90 graus, dando sustentabilidade à peça que estava desnivelada. A partir da criação foi possível obter respostas precisas na medição. "Penso isso na minha mente. Vou pensando o que fazer e vai formando o desenho na minha cabeça até sair o resultado", respondeu Jorge.

A dedicação de Jorge se estende ao cuidado com os equipamentos e o carinho com a mata da universidade. "Com a ajuda dele, criamos e ornamentamos os jardins. Ele conhece todas as nossas ferramentas de trabalho e zela muito bem por elas", disse Paulo Rosa.

Há três meses teve seu primeiro registro na carteira profissional. Com a ajuda dos pesquisadores, aprendeu assinar o seu nome. "Foi uma felicidade tão grande que guardei só pra mim com medo do povo rir".

A história de Jorge se confunde com a de Valdecir Laurentino da Silva, 37. O último é jardineiro da prefeitura universitária. Conhecedor de todos os tipos de plantas, sua experiência contribui para orientar professores na identificação das espécies próprias para pesquisas. "As vezes chego a dizer que aquela planta não vai servir para o que eles querem, porque sei o tipo de proteína que cada uma tem. Depois eles voltam e dizem que estou certo". Valdecir aprendeu nos livros do filho os primeiros passos da jardinagem.

Devido a habilidade com as plantas, recebeu diversos convites para trabalhar em grandes empresas. "O último foi de um laboratório de medicamentos fitoterápicos, mas meu chefe da universidade não deixou", disse. Reginaldo Meireles, coordenador de serviços gerais da UFPB, ratificou. "Por ser do interior, conhece a terra e a vegetação como ninguém. Eu batalho para o Novo não sair daqui. Ele é um excelente funcionário. Seria difícil treinar outra pessoa até chegar a esse nível".

De um extremo a outro do campus não é difícil encontrar histórias como a de Jorge e Valdecir. Através do conhecimento popular muitos contribuem para projetos científicos, inclusive com merecimento de prêmios nacionais. É o caso de João de Deus, funcionário efetivo da UFPB. Há 31 anos é mecânico do Laboratório de Energia Solar. Pesquisadores como Francisco Antonio Belo e Antonio Pralon enaltecem o trabalho de João como fundamental para suas criações.

Recentemente, o professor Francisco Belo, recebeu o Prêmio Petrobras de Tecnologia no tema Tecnologia de Perfuração e de Produção. O invento foi um Torquímetro Dinâmico Telemétrico Auto-Alimentado para Prevenção de Quebra de Redutores de Unidades de Bombeio Mecânico. Apesar das designações causar um 'nó' no cérebro de quem não é da área, João de Deus, não apenas decifra a ideia dos cientistas, como resolve parte dos problemas. "Inicialmente, o professor pensou numa superbateria que daria suporte de no máximo 24 horas. Mas não poderia haver interrupção na distribuição de energia, logo seria necessário trocar a bateria. Foi quando pensei em um dínamo (gerador de corrente elétrica) e criei toda a solução para a máquina". Em outra pesquisa, João de Deus "salvou" o projeto da geladeira solar, criada por Pralon. "Ele colaborou em vários aspectos em nosso grande projeto até agora (transformar luz do sol em gelo). Com a intuição ele desenvolveu um mecanismo que impedia a entrada de ar dentro do circuito da máquina.

Fonte: Jornal O Norte por Jailma Simone.

2 comentários:

Anônimo disse...

Para medir diâmetros de árvores ( Obs.: até 1 metro de diãmetro ) existem as trenas para esta finalidade do fabricante Starrett ( 0300 788 8800 ). Fernando Munhoz

Cristiane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.