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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dia do Geógrafo e posse da nova diretoria da APROGEO-PB


A APROGEO – PB tem a honra de convidar os estudantes e barachareis do curso de geografia, como também os profissionais geógrafos para a solenidade de posse da nova diretoria para o biênio 2012 / 2014, no auditório do CREA-PB, situado na Av. Dom Pedro I, 809, Centro, João Pessoa, 19 horas do dia 29 de maio de 2012.

Membros da Diretoria biênio 2012/2014

PRESIDENTE: JOSÉ ARIMATÉA ALBUQUERQUE DE ALMEIDA
VICE-PRESIDENTE: HENRIQUE ELIAS PESSOA GUTIERRES
1º SECRETÁRIA: CRISTIANE DE MELO NEVES
2º SECRETÁRIO: DIEGO NUNES VALADARES
1ª TESOUREIRA: CLEYTIANE SANTOS DA SILVA
2ª TESOUREIRA: FRANSUELDA VIEIRA DE FARIAS

A DIRETORIA



quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lançamento do livro “Usos, Costumes e Encantamentos: a cultura popular em Ademar Vidal”



No dia 04/04/2012 foi lançado o livro “Usos, Costumes e Encantamentos: a cultura popular em Ademar Vidal” da Drª Maria Nilza Barbosa Rosa. A autora vai abordando, ao longo das páginas, a preocupação do Ademar Vidal com o passado. O pretérito como fundamento para um futuro conservador do ponto de vista cultural. Fica evidente a exposição do pensamento de Ademar Vidal, no capítulo I, subtítulo Por dentro dos Inéditos. “É notável a ênfase aos estudos sobre escravidão na Paraíba, a abordagem de temas polêmicos como raça e miscigenação e importância do negro, através de seus costumes e de sua cultura, na formação sociocultural da sociedade brasielira”, descrição da autora.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Palestra sob o tema: Estudos e vulnerabilidades e desastres no âmbito do Estado da Paraíba

 


 Palestrante: Paulo Rosa (UFPB)

 Local:


Caixa Beneficente dos Oficiais da PM/BM
Rua das TRincheiras, 401 - Centro - Em frente ao prédio da Embratel
João Pessoa - PB  CEP: 58011-000

Data: 29/07/2011 às 19h30min

sexta-feira, 18 de março de 2011

Geográfo paraibano lembra terremotos em PE e RN e diz que região não esta livre de catástrofes naturais



“Nenhum lugar do nosso planeta está fora de riscos de movimentação estrutural (terremotos)”. A afirmação é do geógrafo e professor da Universidade Federal da Paraíba, Paulo Rosa, advertindo que o Brasil não esta fora do risco de sofrer um terremoto, lembrando que já registrados abalos nos estados de Pernambuco e no Rio Grande do Norte.

“Na natureza não há território, mas o que nós chamamos de continentes com estrutura geológica. O nosso continente (América do sul) não esta deitado em berço esplendido”, salientou o geógrafo acrescentando que o que já foi sentido no Brasil foram reflexos da movimentação da terra, mas que na realidade “são um indicativo para a possibilidade de ocorrências assim no futuro”.

O professor Paulo Rosa disse que o Brasil precisa adotar políticas públicas para se prevenir contra catástrofes, revisando códigos de postura e obras e realizando pesquisas para saber os reais riscos de um terremoto de grandes proporções em território brasileiro, como já aconteceu em países vizinhos.

Questionado sobre se as ocorrências no Japão e em outras partes do mundo podem ter ligação direta com as mudanças climáticas que tem aumentado o degelo nos pólos, avanço do mar em diversos pontos do litoral brasileiro, enchentes e outras incidentes climáticos, ele declarou que não acredita que esses fatos tenham relação com os terremotos do Japão e de outras partes do mundo. 

Entretanto, ele ressaltou que existe uma corrente de cientistas que defendem que o mundo pode estar entrando em uma nova era glacial. Ele observou que o mundo esta em mudanças constantemente, lembrando que a faixa do litoral convive com o movimento das marés, que na realização servem para o deslocamento de sedimentos (areia) que são estocadas nas praias, formando planícies litorâneas (desembocaduras dos rios), estão sendo barradas e provocando mudanças na geografia dos continentes.

Geógrafo da UFPB alerta que a Paraíba pode sofrer tsunami



O geógrafo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Paulo Rosa, afirmou que o Litoral da Paraíba pode sofrer um tsunami. Segundo ele, toda a área de planície costeira é vulnerável, mas não é possível saber o grau de risco por falta de estudos precisos. O pesquisador alertou que Pernambuco e Rio Grande do Norte já registraram tremores de terra e realizam estudos para verificar os riscos de uma tragédia natural, mas na Paraíba ainda não há uma investigação que indique quais as probabilidades da costa ser invadida pela água.

Para o pesquisador, a Paraíba já registrou elementos que, se ocorrerem juntos, podem trazer graves problemas para a população. “Rio Grande do Norte e Pernambuco já registraram movimentos, então não podemos descartar uma movimentação tectônica. Em 1961, tivemos uma maré de três metros. Se tiver vento de oito metros por segundo, que consiga levantar grãos de areia, e, ao mesmo momento, vier uma onda de meio metro teremos um problema sério”, explicou.

Segundo Paulo Rosa, se ocorrer explosão vulcânica nas Ilhas Canárias, ocorrerá distribuição de ondas que podem chegar à costa paraibana. “A costa da Flórida é mais distante, mas eles estão mais preparados. Temos que ter estudos mais efetivos para proteger a população”, destacou o pesquisador. Ele alertou também para o registro de um pequeno ciclone no Interior do Estado, que ocorreu mesmo sem qualquer previsão.

“Temos que ficar atentos. Em Baía da Traição, por exemplo, tem maré de 2,8 metros e fica no mesmo nível da terra. Se subir um pouco mais é complicado. Não podemos criar tumulto, mas precisamos alertar o que significa áreas vulneráveis”, frisou. Segundo ele, é preciso conhecer os riscos para haver a preparação necessária.

Além disso, ele alerta que é preciso analisar porque, mesmo com estudos, ainda é difícil prever os desastres naturais. Para ele, “na natureza não tem como falar em precisão, é impossível ter exatidão”. Ele lembrou, ainda, que o Japão já estava preparado para terremotos, mas não conseguiu prever nem se preparar para esse tsunami. “Todo sistema natural na terra é dinâmico e a natureza é imperfeita”, disse.

De acordo com o geógrafo Paulo Rosa, uma das ações que já podem ser tomadas para barrar parte da água que possa invadir a costa paraibana é a proteção dos mangues, mas muitos estão comprometidos. Ele também afirmou que é importante que a Paraíba pense nessa possibilidade e que o poder público investigue a sustentabilidade das grandes obras, como a construção de barragens, pois toda intervenção traz impactos e podem trazer consequências negativas da natureza.


  Agência UFPB de Notícias

 Fonte: Jornal Luzilândia, 16/03/11, às 09:44

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Paraíba está 2 graus mais quente




A Paraíba está até 2 graus mais quente, em diversas áreas do Semiárido e até em municípios da Zona da Mata, onde as temperaturas são mais amenas. Esse aumento na temperatura média histórica é considerado alto e poderá deixar o Estado mais vulnerável a endemias como doença de Chagas, leishmanioses, dengue, leptospirose, esquistossomose e, ainda, doenças como diarreias e cólera. Isso é o que revelam pesquisas realizadas pelas maiores autoridades do País, que estudam os efeitos do aquecimento global.

A Pesquisa "Mudanças Climáticas, Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050" revela que o Semiárido é a região que mais sofrerá e que a Paraíba é o 3º Estado nordestino que apresenta o maior Índice de Vulnerabilidade da Saúde (IVS), com taxa de 0,70, atrás apenas do Maranhão (1) e Bahia (0,76). De acordo com o estudo, essa maior vulnerabilidade significa que esses Estados terão mais dificuldades para lidar com os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde em geral, como endemias e problemas de saúde infantil (desnutrição e diarreias). O IVS varia de zero a 1, refletindo o grau mínimo e o máximo de vulnerabilidade.

"Quanto maior o valor do IVS de um Estado, maior a sua vulnerabilidade para a doença e menor sua capacidade de combater a enfermidade e reduzir seu impacto potencial sobre a população", aponta a pesquisa de Mudanças Climáticas, produzida pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Com o aumento das temperaturas, a tendência é que a chuva se torne cada vez mais escassa. Segundo o doutor em Meteorologia e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), José Ivaldo Barbosa de Brito, o aumento da temperatura já é fruto do aquecimento global associado ao aquecimento local, que é provocado, principalmente, pelo desmatamento e processo de urbanização das cidades.

"O aumento de 2 graus na temperatura média histórica ocorreu nos últimos 20 anos e é considerado alto. Para se ter ideia, da última era glacial para os dias atuais, a temperatura aumentou em torno de 3,5 graus, em um período de 15 mil anos", afirmou José Ivaldo Brito. Segundo ele, a região de Sousa, no Alto Sertão paraibano, foi a que registrou o maior aumento na temperatura.

São Gonçalo, distrito de Sousa, teve um aumento de 2 graus. A sua temperatura média é de 27,5 graus. Já o município de Patos, registrou aumento de 1,5 grau, mas continua sendo o mais quente. Sua temperatura média é 28 graus, mas a máxima pode atingir 38, com sensação térmica de 41 graus", acrescentou Ivaldo Brito.


Zona da Mata com clima de Sertão


Sol escaldante, terra rachada. Crianças e adultos carregam em latas e carros de mão a água de beber. Esperam, ansiosos, pela chegada do carro-pipa, que não traz a melhor água, mas aquela que matará a sede e ajudará a atravessar a estiagem. O cenário é típico do Sertão. Há 20 anos, só seria registrado em regiões do Semiárido nordestino. Mas, hoje, é possível ser visto até em áreas da Zona da Mata, como o município de Pilar, que já sofre com a escassez de chuva, as altas temperaturas e a perda das lavouras. Pilar é um dos 130 municípios paraibanos que estão sendo abastecidos por carros-pipas por causa da seca.

"Aqui, temos áreas de Brejo e Sertão no mesmo lugar. Tem famílias sofrendo muito com a falta de água. A gente que trabalha no campo percebe que está mais quente. E o pior é saber que o homem é culpado disso, por causa dos desmatamentos e das queimadas. Todo ano, plantava 5 hectares de roça. Este ano, nem cheguei a plantar", relatou o agricultor José Fernando da Silva, 45 anos, presidente do Assentamento Nossa Senhora da Conceição, em Pilar.

"Pior será no ano que vem, porque não tem a safra desse ano pra comer. Em outros anos, eu atravessava a seca com 23 cabeças de gado. Hoje, só tenho oito e com medo danado de cair bicho de fome e sede", afirma o agricultor José Fernando, prevendo o pior. "Se o inverno aqui não chegar em janeiro e só for chover em março, só Jesus vai acudir", completa José, enfatizando que já enfrenta sete meses de estiagem.


Mudanças climáticas


As projeções climáticas apontam o semiárido como uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas no Brasil. Diminuição da frequência de chuvas, solos mais pobres, vegetação com menor diversidade biológica estão entre as previsões para a região. Alguns lugares devem se tornar inabitáveis.

Famílias sem água o ano todo

Em Pilar, famílias já estão acostumadas a conviver com a escassez de chuva. "Aqui, vivemos sem água o ano todo", revelou a agricultora Fabiana Elias da Silva, que mora no Assentamento Boa Sorte e recebe ajuda do programa Bolsa Família (R$ 134). Todos os dias, Michele da Silva, 16 anos e suas irmãs Milena, 14 e Milane, 10, ajudam a mãe Fabiana a carregar água até em casa, em baldes, latas e carros de mão.

Algumas famílias de Pilar têm cisternas em casa para armazenar a água da chuva e atravessar a seca. É o caso da agricultura Rosa Maria Costa da Silva, 37 anos. "Até a cisterna secou. A solução agora é tirar água do cacimbão", afirmou.

Em São Miguel de Taipu, município vizinho a Pilar, agricultores também perderam suas lavouras. "A chuva foi pouca este ano e não lucramos quase nada", reclamou o agricultor José Jovino de Araújo, 62 anos.


Inpe


O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lincoln Alves, disse que vários fatores contribuíram para o aumento da temperatura na Paraíba. Segundo ele, grande parte desse aumento é fruto da urbanização. "As cidades estão crescendo e gerando 'ilhas de calor'. A tendência é que as temperaturas fiquem cada vez mais elevadas em decorrência da desertificação, que é a perda da cobertura vegetal. O que chama a atenção é que, além da elevação da temperatura no Semiárido, também houve aumento em algumas regiões da Zona da Mata", observou.

"A tendência é que, até 2100, a temperatura aumente, em média, de 3 a 3,5 graus acima da média, no mundo todo. Para o Semiárido, o aumento pode ser até maior. Mas se o mundo reduzir os gases do efeito estufa pode atenuar esse efeito. Existem alternativas para isso e uma das principais é o reflorestamento", apontou o doutor em Meteorologia da UFCG, José Ivaldo de Brito. Ele disse que, no próximo mês, haverá uma reunião sobre as mudanças climáticas globais. "Especialistas do mundo inteiro discutirão sobre aquecimento global, para tentar chegar a um acordo sobre a redução da emissão de gases do efeito estufa", informou.


PB perderá 66% das terras agricultáveis


A Paraíba perderá 66,6% de suas terras cultiváveis até 2050, segundo revela o estudo "Mudanças Climáticas, Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050". A pesquisa, produzida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra ainda que, com o aumento da temperatura, a dengue deverá aumentar, bem como doenças transmitidas pela água, como a leptospirose e as diarreias, que atingem crianças, causa milhares de internações hospitalares todos os anos e prejuízos aos cofres públicos.

Em menos de três anos (de janeiro de 2008 a agosto deste ano), a Paraíba registrou 24,2 mil internações por diarreias, leptospirose e cólera, sendo que 10,4 mil eram de crianças e adolescentes até 14 anos. Essas internações hospitalares custaram mais de R$ 8 milhões e provocaram a morte de 110 pessoas no Estado.


Um dos coordenadores da pesquisa, Alisson Flávio Barbieri, professor do Departamento de Demografia e do Cedeplar da UFMG, disse que crianças pobres e idosos serão mais atingidos pelas mudanças climáticas. Ele aponta como soluções para enfrentar essas mudanças o fortalecimento das políticas de adaptação, como investimentos em tecnologias agrícolas e novas sementes mais resistentes às altas temperaturas, em armazenamento e conservação das águas, como construção de mais cisternas, principalmente na Região do Semiárido.

"A diminuição da água vai impactar nas migrações e piorar a saúde. Então, é preciso investir mais em três áreas: agricultura, recursos hídricos e saneamento básico. A agricultura precisa ser fonte de geração de renda adaptada às mudanças climáticas e é preciso buscar novas fontes de abastecimento de água. Se as questões da água e da agricultura não forem resolvidas, teremos o aumento da mortalidade infantil, de doenças e muitas pessoas deixarão suas terras", afirmou Alisson Barbieri.


Conservação do solo


Alisson Barbieri disse que, na agricultura, é preciso adotar práticas de conservação do solo porque algumas áreas estão desertificadas pela falta de técnicas. "A previsão é termos cenários com menor oferta de recursos hídricos para o consumo humano e as atividades produtivas, inclusive para a agricultura. Então, é preciso preservar o que já tem e buscar novas fontes de abastecimento de água. Temos que saber se a Transposição do Rio São Francisco será viável nesse cenário de mudanças climáticas", colocou o professor.

Para ele, no Brasil, há condições de desenvolver projetos e não gerar uma situação de fome. "A Embrapa, por exemplo, tem investido na adaptação da agricultura", afirmou.


Mortalidade deve aumentar


Segundo o professor da UFMG, a mortalidade infantil e as doenças de veiculação hídrica, como diarreias e cólera, poderão aumentar e o custo com internações hospitalares ficará ainda mais alto. "A criança que tem muitas doenças na primeira infância, terá sérios problemas no futuro, porque crescerá com deficiências nutricionais, cognitivas e terá seu desenvolvimento comprometido. Então, essas crianças serão pessoas menos produtivas para o País. Por isso, é melhor tratar as causa das doenças, investindo em saneamento básico, do que depois assumir os custos econômicos e sociais", analisou Alisson Barbieri. O especialista explicou que as crianças, os idosos e os pobres serão mais afetados porque têm menor capacidade de adaptação, menos recursos financeiros e menor capacidade de buscar outras alternativas de sobrevivência.

O doutor em Meteorologia e pesquisador da UFCG, José Ivaldo de Brito, acrescentou que, quanto mais elevada a temperatura, mais vulnerável fica a população a algumas doenças. "Os insetos se proliferam mais nas altas temperaturas, como os mosquitos transmissores da dengue (Aedes Aegypti), malária e doença de chagas (barbeiro). Então, essas doenças tropicais também devem aumentar", comentou.


Escassez de água


Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lincoln Alves, as projeções para 2050 indicam também que, com o aumento das temperaturas, haveria uma redução do volume de chuvas, o que não é observado ainda. "Dessa forma, as pessoas terão que se adaptar aos poucos até em relação ao modo de se vestir, como utilizar os recursos hídricos, já que a tendência é que a água fique cada vez mais escassa. As construções e prédios também terão que se adaptar. Casas deverão ser mais ventiladas, com materiais reutilizados e ecologicamente corretos, com menor impacto ambiental", afirmou, enfatizando que é preciso desenvolver projetos de desenvolvimento sustentável e capacitar as comunidades para que possam se adaptar a isso.


"É preciso captar água da chuva"

Com as mudanças climáticas, a população terá que modificar seus hábitos. Várias comunidades da Paraíba em municípios do Semiárido já desenvolvem projetos de convivência com a seca, a exemplo das cisternas para armazenar a água da chuva. Mas as iniciativas ainda são insuficientes e pontuais para enfrentar esse cenário. O pesquisador e geógrafo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Paulo Rosa, aponta soluções para atravessar a estiagem. Ele diz que o telhado de escolas, quadras de esportes e outros prédios públicos podem captar água da chuva e abastecer comunidades. Já as folhas secas das árvores podem ser usadas como alternativa para substituir a lenha consumida, principalmente, por padarias e pizzarias. O especialista alertou que é preciso captar a água das chuvas para não utilizar a água de poços artesianos porque são "águas estratégicas" para serem usadas no futuro em situação emergencial.

O geógrafo e professor de Planejamento e Gestão Geoambiental da UFPB, Paulo Rosa, disse que não acredita em aquecimento global, mas em aquecimento local de cidades e da zona rural devido, principalmente, ao processo de asfaltamento e não reposição das áreas verdes, uso inadequado da água e queimadas. Para ele, é possível usar tetos de escolas, quadras de esportes e até o calçamento de ruas para captar água das chuvas, que são mal distribuídas. Ele também concorda que é preciso construir mais cisternas para armazenar água da chuva.

"No Semiárido, a água de poço artesiano não deveria ser mexida porque é um recurso futuro. A sua retirada é um problema sério. As águas do subsolo são estratégicas e quando acabar é difícil voltar. Deveria ter aproveitamento da água de chuva nas cisternas. Além disso, as quadras poliesportivas são grandes captadoras de água. E, ainda, ruas com pequenos declives. É só captar e depois purificar. Folhas secas de árvores, de qualquer vegetal, podem ser prensadas e transformadas em matriz energética, para minimizar o problema das padarias e pizzarias que utilizam fornos a lenha", apontou Paulo Rosa.

O pesquisador fez um experimento e conseguiu captar 16 mil litros de água em dois telhados da UFPB (cada um de 50 metros de comprimento por 10 de largura), com uma chuva de apenas 16 milímetros. Para se ter ideia, os 16 mil litros daria para abastecer uma escola com 160 alunos durante um dia.


Embrapa: culturas resistentes


A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em todo o País já está desenvolvendo estudos para cultivar culturas mais resistentes às altas temperaturas. Na Paraíba, a Embrapa está realizando estudos de adaptação às mudanças climáticas, fazendo simulações de culturas que possam se desenvolver em uma temperatura com um a dois graus acima da média normal. No Estado, o órgão já conseguiu uma semente de algodão mais precoce. Ela produz com metade da água que precisaria uma semente convencional.

"O algodão se adapta bem com 600 milímetros de chuva bem distribuídos durante quatro meses. Mas a semente precoce consegue crescer, se desenvolver e produzir com até 300 milímetros. Dessa forma, vamos produzir em menos tempo, ter um melhor aproveitamento e um menor gasto da água, havendo adaptação às altas temperaturas", informou o analista da Embrapa algodão, em Campina Grande, Waltenilton Vieira Cartaxo. "Nesse cenário de aquecimento global, também existem estudos para o amendoim, gergelim, mamona, sisal e pinhão manso", acrescentou.

Segundo Waltenilton, a Embrapa Meio Norte também está desenvolvendo o arroz vermelho na região de São João do Rio do Peixe. "O chamado 'arroz da terra', como é conhecido, é mais resistente e mais adaptado ao Semiárido. Exige menos água e é valorizado", disse.


Fonte: Vitrine do Cariri
http://www.vitrinedocariri.com.br

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Busca com Google Earth leva a descoberta de cratera de meteoro



A cratera localizada pela Google Maps, em 2008

Uma busca realizada com a ferramenta Google Earth levou à descoberta, em um deserto na África, de uma cratera causada por um meteorito, no que está sendo considerado como um dos mais bem preservados locais do gênero já encontrados.

A cratera de Kamil, localizada entre a Líbia, o Egito e o Sudão, tem 45 metros de diâmetro e 16 metros de profundidade.

Ela tinha sido localizada em 2008 pelo mineralogista italiano Vincenzo De Michele, enquanto realizava uma busca por formas naturais usando o Google Earth.

Após a descoberta, De Michele contatou o físico Mario Di Martino, do observatório do Instituto Nacional de Astrofísica, em Turim, que comandou uma expedição ao local em fevereiro deste ano.
Segundo pesquisadores, o buraco foi formado pelo choque de um meteorito ocorrido há não mais de dez mil anos.

O corpo celeste, composto de ferro, teria dez toneladas e 1,3 metro de diâmetro, tendo atingido a Terra a uma velocidade superior a 12 mil km/h.


 Local permaneceu intacto por milhares de anos após o impacto


Bola de fogo



Os estudiosos afirmam que o impacto do meteorito causou uma bola de fogo e uma coluna de fumaça visíveis a mil quilômetros de distância. Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que a cratera passou tando tempo sem ser notada por humanos.

"A cratera (...) potencialmente tem menos de alguns milhares de anos. O impacto pode até ter sido observado por humanos, e pesquisas arqueológicas em antigos assentamentos próximos (ao local) podem ajudar a determinar a data", disse Luigi Folco, do Museu Nacional da Antártida, em Siena (Itália), em entrevista ao site da Agência Espacial Europeia.

A expedição à cratera de Kamil durou duas semanas e foi formada por 40 pessoas, entre elas cientistas italianos e egípcios. A equipe coletou mais de uma tonelada de fragmentos metálicos, incluindo um pedaço de ferro de 83 kg, que poderia ter se partido do meteorito.

Fonte: Uol Notícias

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Erosão ameaça metade do litoral paraibano










Quem esteve na Barreira do Cabo Branco, em João Pessoa, há 20 anos, e pode visitar o local nos últimos meses sente uma grande diferença no aspecto da área. Não é impressão. A falésia sofre com a erosão costeira e perde cada vez mais sedimentos. Este é apenas um dos pontos do Litoral paraibano afetados pelo problema. O diagnóstico de estudo divulgado recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) aponta um quadro alarmante: metade do Litoral paraibano (70 quilômetros) está ameaçada pela erosão. O processo deve continuar acelerado nas próximas décadas, com deslizamentos de falésias e destruição de edificações construídas a beira-mar nos 140 quilômetros de extensão do Litoral da Paraíba.

A causa da erosão seria o déficit de sedimentos na costa. O fator que justifica essa alteração está na atividade clandestina da construção civil, com a construção de habitações em áreas impróprias, feitas sem atentar para os limites da linha praial. As construções de barragens para ampliar o abastecimento de água para a população também têm acelerado a ocorrência desses danos, conforme destaca os estudos. De acordo com a análise do estudo publicado pelo MMA, a linha da costa da Paraíba está situada em um setor da costa brasileira caracterizado por uma tendência de longo prazo para a erosão costeira. Essa convergência tem sido exarcebada por padrões inadequados de ocupação da linha da costa.

Ainda conforme os dados das avaliações, dos trechos mais críticos, cerca de 42% apresentam recuo, 33% experimentam progradação (fenômeno inverso da erosão e se caracteriza pelo avanço da linha de costa mar adentro), 21% estão em equilíbrio e 4% estão estabilizados por obras de engenharia. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas estima que ocorra, nos próximos 100 anos, uma elevação do nível do mar entre 20 e 59 centímetros. Na previsão dos cientistas, um aumento de 50 centímetros consumiria 100 metros de praia da costa nordestina. Os rios são os responsáveis por carregar sedimentos para a praia e abastecer o mar, quando ele avança em busca de areia. Esse movimento se repete e alimenta as praias. Com a ocupação indevida nas margens do rio e por toda a costa, além da instalação de inúmeras barragens, os suprimentos que deveriam ser levados ao mar ficam retidos nesses pontos. "As bacias hidrográficas dos rios que deságuam na região Nordeste são muito pequenas o que, associado com o clima semiárido, reflete em um reduzido aporte de sedimentos para a linha de costa. A principal fonte de sedimentos para a zona costeira são os rios que levam areias que são utilizadas para construir as praias. O reduzido suprimento desse material implica em uma costa 'faminta'", detalhou o geólogo José Maria Landim Dominguez, que participou dos estudos. Para as próximas décadas, o prognóstico é preocupante. Devido, principalmente, à subida do nível do mar, a erosão costeira vai se agravar. Com isso, as edificações situadas próximo à linha de costa serão atingidas, pois qualquer mudança na posição da linha da costa acaba acarretando em ameaças a essas edificações. A solução pode surgir a partir de obras de engenharia que sirvam para conter o fenômeno, como muros de arrimo.

Entretanto, para o professor Landim, a melhor alternativa para se adaptar às mudanças futuras é criar dispositivos no licenciamento ambiental de novos empreendimentos na zona costeira, os quais exijam determinações de faixas de recuo proibindo construções permanentes. O diagnóstico da erosão costeira para o Estado da Paraíba foi feito em termos qualitativos, devido aos recursos muito limitados que foram alocados para a pesquisa. É necessário agora, pelo menos nas áreas onde a erosão é mais severa, a realização de amplos estudos quantitativos para determinação das taxas de recuo históricas da linha de costa e para que sejam idenficadas as projeções do fenômeno para as próximas décadas.

Parte sul é a mais comprometida

Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) vão além e garantem que toda a extensão do Litoral paraibano está comprometida com sinais da ação degradadora decorrente desse fenômeno natural. "O processo de erosão é cíclico e um dos fatores que o acentuam está justamente na ocupação urbana indevida, sem levar em consideração a dinâmica costeira. Na verdade, todo o Litoral está vulnerável a erosão", revela o geógrafo e professor do Departamento de Geociências da UFPB, Paulo Rosa. Embora o problema afete toda a extensão da linha costeira do Estado, a parte mais comprometida é a Sul do Litoral.


Praias como Jacumã e Seixas estão em constante ameaça pelo processo de erosão. Para se proteger do avanço do mar, os proprietários de construções criam verdadeiras muralhas, recheada de pedra e concreto. Barracas de alvenaria e palhoças já foram postas a baixo. Na década de 1990, a conhecida palhoça do Seixas foi destruída por uma forte maré. "No Sul, essa tendência é maior", diz o professor.

A instalação de estruturas físicas decorrentes do acelerado crescimento imobiliário na área do Litoral permitiu o acesso a locais pouco habitados. "A partir da década de 1970, a expansão da mancha urbana (caracterizada pelas construções) ficou mais acentuada e os locais onde não existem barreiras de contenção, o mar está avançando cada vez mais. A mancha urbana impede a chegada de areia e esse déficit permite que o mar retire", explica o geógrafo. Paulo Rosa defende que as construções deveriam ser precedidas de um estudo geomofológico rigoroso e de um planejamento que envolva toda a área onde se pretende instalar o equipamento.

Quando não há a observância dos limites de oscilação do perfil praial e das áreas fontes de sedimentos, contribui-se para o agravamento da erosão costeira natural, com destruição de imóveis, praias ecreativas e vias urbanas. João Pessoa e Cabedelo são apontadas como as localidades com áreas danificadas, no entanto, as praias que mais agonizam com a erosão são Pitimbu, Jacumã, Seixas, Penha, Cabo Branco e as situadas em Baía da Traição. Na capital, a erosão é acentuada em toda a praia do Cabo Branco, e alcança ainda Tambaú, Manaíra e Bessa. O geógrafo alertou que a situação pode se agravar em setembro, em que estão previstas pelo menos três marés altas, medindo até 2,8 metros de altura.
Para Paulo Rosa, a única solução para conter a erosão costeira se refere à construção e manutenção das barreiras de contenção ao longo da costa. A exemplo das praias de Manaíra e Tambaú, o sistema deveria ser implantado em caráter emergencial em áreas mais críticas como Seixas e Cabo Branco.

Antes de chegar às praias, o problema tem origem nos rios, encarregados de abastecer o mar com sedimentos. O professor Paulo Rosa destacou que todos os rios urbanos de João Pessoa estão comprometidos por conta da impermeabilização. O mais danificado é o Jaguaribe. Casas feitas na margem são as principais fontes de degradação. A criação de barragens foi outro fator citado pelos especialistas como causa da erosão. (JS)


Geólogo alerta para o problema do desmoronamento de falésias

As falésias merecem especial atenção, pois estão sujeitas a desmoronamentos catastróficos, conforme alerta o geólogo José Maria Landim Dominguez. Um exemplo clássico do Litoral paraibano é a ponta do Cabo Branco, que tem passado por sucessivas intervenções com a finalidade de impedir maiores deslizamentos. No final da década de 1990, a barreira sofreu mais intensamente com a erosão. "As ondas solapam a base das falésias ativas, o que associado com movimentos de massa a partir do topo das mesmas, principalmente em períodos de maior precipitação atmosférica, podem causar estes desmoronamentos", aponta.



A costa do Litoral paraibano é recheada de falésias, muito suscetíveis à erosão, no entanto, as planíceis também são proeminentes ao fenômeno. É a falta de sedimentos que determina em grande parte das características da zona costeira paraibana, com inúmeras falésias, recifes de algas e corais e erosão costeira. Portanto estes condicionamentos resultam em uma tendência de longo prazo para a erosão. Este aspecto por sua vez é agravado por usos inadequados do solo com edificações muito próximas à linha de costa", avisa Landim.

Não existem estudos que identifiquem a quantidade de construções existentes ao longo do litoral, mas em localidades como praia de Campina, em Pitimbu, Seixas, e o município de Baía da Traição são observadas inúmeras edificações bem próximas do mar. Os resultados de estudos como o relatório divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, que mostram as condições críticas em metade das praias do Litoral paraibano deveriam servir como alerta para a necessidade de intervenções urgentes, inclusive de caráter preventivo. O geógrafo Paulo Rosa, que está engajado em inúmeras pesquisas sobre o tema, lamenta que ações mais efetivas ainda estejam longe de serem postas em prática. "Os investimentos são restritos, até mesmo no que se refere a estudos para identificar as condições da costa", lamenta.

Fonte: Jornal da Paraíba por Jacqueline Santos

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tempestade solar – Agosto/2010

No dia 1º de agosto, quase todo o lado do Sol que é visto da Terra entrou em grande erupção. Após um período de calma um pouco mais longo do que o habitual na estrela, essa atividade deu origem a um fenômeno de enorme intensidade.
A rajada solar de classe C3 emitida pelo Sol provocou, entre outros efeitos, o que os cientistas chamam de ejeção de massa coronal em direção à Terra. Essa emissão atingiu o campo magnético terrestre dois dias depois.  Leia mais


Imagem: Nasa 

A Nasa divulgou neste domingo (8) foto que mostra erupções magnéticas no Sol na última semana (as cores foram tratadas para facilitar a identificação das erupções). Ele não ficava tão ativo desde 2001.
Erupções criam tempestades de partículas carregadas que atingem a Terra. Quando chegam, fazem brilhar o céu das regiões polares.
Elas devem aumentar até 2013 --a atividade solar segue um ciclo de cerca de 11 anos. O astro está acordando, após anos de calmaria.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/779956-nasa-divulga-nova-imagem-com-erupcoes-solares.shtml
 

Spectacular aurora lit the night sky from Europe to North America on August 3, 2010, thanks to a 12-hour long geomagnetic storm. The storm occurred as large clouds of charged particles from the Sun interacted with the magnetic field around Earth. As the particles zoomed along the magnetic field, they collided with and energized oxygen and nitrogen in the atmosphere. When the energized atoms relaxed, they emitted light, providing a brilliant show.   Leia mais


 
 Imagem: Nasa

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Geleira se retrai 1,6 km em uma noite


Imagem: NASA


De acordo com o site Treehugger (http://www.treehugger.com/files/2010/07/nasa-witnesses-greenland-glacier-breakup-overnight.php?campaign=TH_rotator), a Nasa acaba de divulgar fotos de satélite preocupantes da geleira Jakobshavn, no norte da Groenlândia. As fotos foram feitas entre os dias 6 e 7 de julho, quando uma área de gelo de 2,7 milhas quadradas (mais de duas vezes o tamanho do Central Park, em Nova York), localizada no encontro da geleira com o oceano, se soltou durante a noite, fazendo com que a geleira recuasse uma milha terrestre.

A retração dessa noite representa a média de retração calculada para os últimos dois anos.

A respeito do fato, Thomas Wagner, cientista da NASA, comentou: "Embora tenham ocorrido no passado rachaduras de gelo dessa mgnitude, este evento pode ser considerado incomum, pois aconteceu na sequência de um verão quente, em que o mar não foi congelado na baía próxima. Enquanto a relação entre esses eventos está sendo determinada, acaba credenciando a teoria de que o aquecimento dos oceanos é responsável pelo degelo observado na Groenlândia e na Antártida."

A geleira Jakobshavn vem se retraindo a um quilômetro por ano desde 2000. Localizada na costa oeste da Groenlândia, já perdeu mais de 45 quilômetros nos últimos 160 anos, dos quais 10 quilômetros somente na década passada. As estimativas mostram que cerca de 10% de todo o gelo derretido na Groenlândia vem da Jakobshavn - tornando-a o maior contrbuinte isolado para o aumento do nível do mar no hemisfério norte.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,geleira-se-retrai-16-quilometro-em-uma-noite,580242,0.htm



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Rio Jaguaribe agoniza


Cerca de 13km de águas são sufocadas pelas mais de 50 mil famílias que vivem às margens do leito degradando o local.

 Antônio Luiz de França mora na área ribeirinha ribeirinha há três décadas e se indigna.  
Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press

O Rio Jaguaribe não é mais o mesmo. A cada dia, morre um pouquinho. Esgotos e lixo têm sido depositados em seu leito sem cerimônias pelos moradores das áreas ribeirinhas. E eles acabam sendo vítimas, sofrendo as consequências do ato irresponsável. Os alagamentos deixam as comunidades, onde vivem cerca de 50 mil famílias, em situação de risco. O mau cheiro incômoda. Roedores e insetos se multiplicam, invadem as casas, provocam doenças. O catador de recicláveis Antônio Luiz de França, 49, mora há mais de três décadas às margens do Rio Jaguaribe, no Bairro São José.

Assim como outros moradores antigos do local, ele tem boas lembranças de uma época em que o rio era limpo. "Aqui tinha peixe e até camarão. A água era tão transparente que dava para ver a areia. Agora, a gente não pesca mais. Está poluído por causa dos esgotos", lamenta. A situação, segundo ele, está menos crítica em razão da limpeza que a Prefeitura de João Pessoa vem realizando ao longo dos 13,5 quilômetros do Jaguaribe, mas o problema parece estar longe de ser solucionado. Nas comunidades cortadas pelo rio, as cerca de 50 mil famílias não contam com ligações regulares de esgotos. Por isso, todos os dejetos são lançados diretamente nas águas. Os moradores contam que existe esgotamento sanitário no Bairro São José, mas nem todos fizeram a ligação na rede e permanecem poluindo o meio ambiente.

Esse mesmo ecosistema que corta a cidade também enfrenta um outro problema: o lixo, que vem destruindo o que resta do rio. "Está tudo muito sujo. Jogam sofá, geladeira. A gente está com medo quando o inverno chegar porque com a chuva, a água não tem para onde ir e alaga tudo", relata o pescador Carlos Antônio Felipe da Silva, 49. O pior, segundo ele, é que o resíduos produzidos diariamente são jogados pela própria comunidade. "E pensar que eu bebi até água daí", recorda. O geógrafo Paulo Rosa, professor de Planejamento e Gestão Geo Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) contou que, há alguns anos, observou peixes com grandes lesões no dorso causadas pela ação degeneradora de produtos químicos na água, a exemplo de sabões e detergentes. Segundo ele, além de poluir, estes produtos desestabilizam a química da água.

Quem conheceu o rio nos bons tempos sofre ao ver as condições do local nos dias atuais. "É uma sensação devastadora. Está cada vez mais poluído e as pessoas não têm consciência de que estão prejudicando a elas mesmas quando jogam lixo. Tomei banho nessas águas, pesquei, brinquei. É triste ver o rio nesse estado", lamenta José Gonçalves da Silva, 42, porteiro que morou 14 anos no Bairro São José. A mãe dele ainda vive no local.

Aos 68 anos, a dona de casa Severina Gecina da Conceição garante que lavou muita roupa no rio. "A água era limpinha. Uma maravilha. Hoje está essa tristeza. Queria que voltasse a ser como antes", disse. Entre as histórias tristes lembradas pelos moradores está a de uma criança que morreu depois de engolir água do rio. "A criança tinha uns 7 anos de idade. Entrou no rio, tomou banho e, sem querer, acabou bebendo da água. Pouco tempo depois ficou doente e morreu. Todo mundo diz que foi por causa da poluição", conta o relojoeiro Nivaldo da Silva, 47. Em outro trecho do Jaguaribe, na altura do Cristo Redentor, os relatos são semelhantes e preocupantes para quem a degradação de um patrimônio natural da cidade. O esgoto de um condomínio está correndo todo para o rio e tem dia que o cheiro desagradável incomoda demais.

Fonte: Lucilene Meireles do Jornal O Norte

 

Rio sofreu com desvios e agressões

Despejos de esgoto é muito comum em todo o trajeto do rio.
Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press

O Rio Jaguaribe corta toda a cidade de João Pessoa e é um dos mais importantes do estado. Mas, as construções desordenadas às suas margens destruíram a mata ciliar. A falta da vegetação torna o local inapropriado para se viver. "Não é seguro morar nessa região. É uma área inundável. Por isso, ocorrem os alagamentos no período chuvoso", resaltou a diretora técnica da Sudema, Ana Lúcia Espínola.

O trecho mais crítico, segundo a gestora da Sudema, é próximo ao Manaíra Shopping, no bairro de Manaíra. Para o geógrafo Paulo Rosa, existem três pontos considerados preocupantes: a Mata do Buraquinho, onde o rio foi barrado para um açude, que hoje é sem serventia; o desvio para o rio Mandacaru - hoje o rio não tem mais ligação com o leito antigo por conta das edificações do um empreendimento na área; e a foz, onde o mangue está agonizando. A nascente do rio fica no conjunto Esplanada a aproximadamente a 43 metros de altitude. Desce e recebe as águas das Três Lagoas, nas imediações da BR-230. Depois continua descendo e chega à Mata do Buraquinho onde há um barramento na altitude de 15 metros que quebra a energia topográfica. Até aí, desceu 28 metros. Ele explica que a partir desse momento, o rio adquire novo início de energia topográfica, ficando mais fraco em termos de energia cinética. Isso diminui sua força de trabalho erosivo.Ao sair da Mata do Buraquinho, o rio foi retificado até onde recebe seu principal afluente, o Rio Timbó, na cota de 5 metros. "Daí em diante, desce muito lento, sem forças erosivas, pois já se encontra na planície costeira, no sopé da falésia inativa. Hoje podemos anunciar que sua outra referência está ao final da comunidade São José e nas proximidades do Manaíra Shopping.

Nesse ponto, o rio foi desviado para o Rio Mandacaru, obra para diminuir os mosquitos da febre amarela", relatou Paulo Rosa. É aí que começa o processo de assoreamento. "Hoje não é mais rio e sim várias poças de água parada, como pode ser visto junto a dois hipermercados ", explicou. Segundo o geógrafo, esse antigo Baixo Jaguaribe, hoje totalmente sem força, não consegue mais romper o cordão litorâneo que se interpõe entre a área alagada do mangue e o mar.

É um lugar que abriga apenas a água da chuva, necessitando que os moradores das comunidades façam a abertura do cordão litorâneo para haver o escoamento da água acumulada. Nesse momento, o mangue volta a receber a troca de água com o mar. "Pode-se então anunciar que aquele mangue está definhando. E, por isso, a especulação imobiliária está agindo como agente de pressão constante, o que força ainda mais para que o mangue se acabe", constatou. "Aparentemente, é um rio, mas está tão maltratado que não sabemos qual será a consequência desse desprezo em relação a morfologia dessa bacia num futuro não muito distante. A função do rio não é apenas levar água para os níveis mais inferiores, mas também conduzir sedimentos e estes vão formando as planícies costeiras, as praias", disse.

Fonte: Lucilene Meireles do Jornal O Norte

 

Reflorestamento como saída sustentável

População ribeirinha tem convívio há mais de 30 anos com a poluição.
Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
 
O problema do Rio Jaguaribe é antigo e vem sendo discutido por especialistas e órgãos ligados ao meio ambiente. O saneamento básico é apontado com uma das possíveis soluções e a ocupação irregular da comunidade deveria respeitar uma distância superior a 30 metros da margem para que a água e a mata ciliar fossem preservadas. "As pessoas carecem de educação ambiental", observou a presidente da Associação Paraibana de Amigos da Natureza (Apan), Socorro Fernandes.

Ela afirma que encontra-se de tudo no rio. "A Cagepa joga esgotos sem nenhum controle e é uma das grandes poluidoras", denuncia. Por sua vez, o órgão responsável pela gestão do esgotamento sanitário e abastecimento d'água se defende, garantindo que os esgotos só são despejados no rio quando é necessário realizar alguma intervenção e não há outra alternativa para desviar os dejetos. Para Socorro Fernandes, a falta de educação é um dos grandes problemas. "Sem contar que há pouca preocupação dos gestores. Há alguma limpeza e dragagem, mas se não houver educação das pessoas, a questão se torna recorrente", analisa.

Um dos indicadores de que a água está poluída são os aguapés que crescem sobre a água. "Em pouca quantidade, elas colaboram para a limpeza do rio. Quando se multiplicam de forma desordenada, não deixam a água respirar. Não há fotossíntese. Algumas algas também costumam se proliferar. A presença delas significa que há muitas bactérias no local responsáveis por provocar diarreia, dores de cabeça e problemas de pele", ressaltou.

A ambientalista acredita que se houvesse redução dos afluentes domésticos, certamente a situação melhoraria. Para revitalizar a área, a solução seria evitar que esgotos fossem despejados no rio, e providenciar o reflorestamento da mata ciliar. Esse processo iria regularizar a temperatura. Um trabalho de educação ambiental com a população ribeirinha também iria fortalecer esta ação. "O Jaguaribe pode voltar a ser como antes. Para isso, é necessária uma parceria entre os órgãos gestores e as comunidades. Ao limpar o rio, é preciso tentar fazer com que as pessoas continuem conservando", disse.

Com o reflorestamento, o rio iria se recuperar, a longo prazo, e se tornaria saudável. "Se não fizermos isso agora, as gerações futuras não terão água potável. Se tomarmos atitudes enquanto ainda temos nossos rios, os peixes retornarão e a floresta vai se recuperar", declarou Socorro Fernandes. Para Ana Lúcia Espínola, diretora técnica da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), se nada for feito, a fauna e flora vão desaparecer. "Será a extinção das espécies", declarou.

Fonte: Lucilene Meireles do Jornal O Norte

 

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Vulcão em erupção na Guatemala


Guatemala decreta estado de calamidade após erupção de vulcão.

 Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Guatemala 

O governo da Guatemala declarou na noite desta quinta-feira (27) estado de calamidade pública na zona central do país devido à erupção do vulcão Pacaya, situado 50 km ao sul da capital.

As autoridades do país confirmaram que pelo menos três crianças com idades entre 7 e 10 anos de idade, moradores de uma comunidade próxima à cratera do vulcão, estão desaparecidos em virtude da erupção.

Além das crianças, o corpo de um jornalista de um canal de televisão local foi encontrado pelos bombeiros na região próxima da erupção do vulcão. Aníbal Archila, de 32 anos, desaparecu durante a cobertura do incidente e foi atingido por uma rocha expelida pelo vulcão Pacaya.

O auxiliar técnico Byron Secaida, que acompanhava o repórter, conseguiu sair com vida do local e disse que o companheiro de trabalho desapareceu após ser atingido por uma rocha: "Ele foi atingido por uma rocha nas costas. Saí correndo para buscar ajuda, mas não o encontramos na volta", disse Secaida.

Segundo o secretário de Comunicação da Presidência, Ronaldo Robles, o estado de calamidade foi adotado para evitar acidentes como o do jornalista e permitir o trabalho das autoridades e das equipes de socorro na proteção dos habitantes, limitando as garantias constitucionais existentes no país.

De acordo com Ronaldo Robles, o estado de calamidade pública "permite às autoridades retirarem a população dos lugares de perigo, inclusive contra sua vontade, e os levem para lugares seguros", e também causa a suspensão das aulas nos centros educativos públicos e privados das regiões atingidas pela erupção.

"O presidente Álvaro Colom e seu gabinete de governo mantêm uma vigilância constante da atividade do vulcão Pacaya, assim como das constantes chuvas em todo o país, que também poderiam acarretar outras emergências", afirmou Robles.

Foto: http://noticias.uol.com.br/album/100528guatemala_album.jhtm?abrefoto=1#fotoNav=6

País se mobiliza


Após a forte erupção do Pacaya, registrada por volta das 19h pelo horário local (22h em Brasília), o vulcão começou a lançar pequenas rochas, areia e cinzas, que chegaram a um raio de mais de cem quilômetros.

Por conta do perigo iminente, as autoridades ordenaram o fechamento do aeroporto internacional La Aurora, assim como o esvaziamento de pelo menos quatro localidades na região do vulcão.

A chuva de areia, que na capital guatemalteca alcançou mais de dez centímetros de espessura, provocou mais de 35 colisões de automóveis, e dezenas de motoristas sofreram lesões leves.

O vulcão Pacaya, situado a 50 quilômetros ao sul da capital, Cidade da Guatemala, no município de Palín, tem a cratera de 2.522 metros de altura acima do nível do mar. O vulcão registrou um total de 14 erupções desde 1961.

*Com informações das agências internacionais

Fonte: Uol Notícias http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/05/28/guatemala-decreta-estado-de-calamidade-publica-devido-a-erupcao-de-vulcao-quatro-estao-desaparecidos.jhtm 



Imagem: http://www.painelglobal.com.br/

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vulcão Nevado del Ruiz - Colômbia

 Fonte: http://earthobservatory.nasa.gov/IOTD/view.php?id=43859&src=igoogle 

 
O Vulcão Nevado del Ruiz (centro da imagem) está localizada a aproximadamente 140 km (87 milhas) ao noroeste da capital colombiana, Bogotá. Abrangendo mais de 200 quilômetros quadrados (77 milhas quadradas); Nevado del Ruiz é um grande estratovulcão, isto é, um vulcão em forma de cone construído a partir de sucessivas camadas de lava, cinzas e depósitos de fluxo piroclástico. O vulcão é alimentado pelo magma gerado acima do limite entre a região de subducção de Nazca e das placas tectônicas Sul-Americanas. Os registros históricos de erupções no vulcão remontam a 1570, porém a erupção mais anosa ocorreu em 1985.

Em 13 de novembro de 1985, uma erupção explosiva na Cratera Arenas (centro da imagem) derreteu gelo e neve acumulados no cume do vulcão. A avalanche de lama formada pelo derretimento do gelo e neve somado aos materiais piroclásticos (lahars) varreu dezenas de quilômetros carreadas pelos vales ao longo dos flancos do vulcão, matando pelo menos 23 mil pessoas. A maioria das mortes ocorreu na cidade de Armero, que estava completamente inundada pelo lahars. Outra atividade eruptiva, mas não confirmada no Nevado del Ruiz, pode ter ocorrido em 1994.

O cume do vulcão está coberto por geleiras que aparecem como uma massa branca em torno de 1 km (0,6 milhas) de largura na Cratera Arenas... leia mais


Fonte: Earth Observatory - NASA

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um só mundo - para o bem e o mal



Foto: http://www.usposttoday.com/icelandic-volcano-activity-continues/

A erupção de um vulcão na longínqua Islândia bagunça da produção agrícola do Quênia ao funcionamento dos aeroportos por toda a Europa. Globalização é isso.

Por J.R. Guzzo | 27.04.2010 | 10h46

Um obscuro vulcão que estava quieto há quase 200 anos entra de repente em atividade na Islândia, nas brumas remotas do Atlântico Norte - e a milhares de quilômetros dali, em pleno coração da África, a horticultura do Quênia sofre de um momento para outro prejuízos calamitosos; cerca de 100 000 voos são cancelados através dos aeroportos da Europa nos cinco dias seguintes; a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, se vê subitamente reduzida aos desconfortos reservados aos cidadãos comuns, obrigada a andar de automóvel e de ônibus de Roma até Berlim, último trecho da viagem que fazia aos Estados Unidos. Nenhuma dessas coisas deveria ter nada a ver com outra. Mas na vida cotidiana deste nosso mundo, tal como ele é em 2010, tudo se conecta cada vez mais, e o resultado é que ninguém pode se considerar realmente seguro só porque está tudo em paz no seu pedaço. Basta acontecer alguma perturbação grave em outro pedaço do globo para se abrir a possibilidade de um tumulto de proporções planetárias. Ouvimos dizer, quase todo dia, que os países e as pessoas tornaram-se interdependentes. Eis aí uma bela demonstração disso. Hoje em dia qualquer coisa pode afetar qualquer um, em qualquer lugar, por causa da globalização, da internet, do iPhone, do Twitter, do tráfego instantâneo de capitais, da livre circulação de ideias, de produtos e de gente - e das cinzas de vulcões com temperamento difícil, como acaba de acontecer.

Erupções dessa natureza, segundo as autoridades internacionais que governam o espaço aéreo, colocam graves riscos para a segurança dos voos nas áreas afetadas por elas. Pronto: eis aí o pobre Quênia, por exemplo, metido em pleno tumulto global. Criouse ali nos últimos anos, com grande esforço, uma crescente indústria de verduras, flores e legumes destinados à exportação - uma atividade, enfim, na qual o país pode efetivamente competir no mercado mundial e que lhe rende 1 bilhão de dólares em divisas por ano. Mas as cenouras, as rosas e as ervilhas do Quênia só se transformam em dinheiro se puderem ser embarcadas diariamente de avião para os compradores da Europa; com a suspensão dos voos, centenas de toneladas de produtos foram simplesmente para o lixo. Da mesma forma, sem nenhum aviso prévio, as companhias aéreas engoliram em menos de uma semana cerca de 1,7 bilhão de dólares de prejuízo, soma que deve passar dos 2 bilhões até o fechamento final da conta; o balanço promete ser pior que o do pânico ocorrido depois do ataque aéreo terrorista ao World Trade Center de Nova York. Que planejamento estratégico poderia prever uma coisa dessas? Linhas de montagem que dependem de peças transportadas de avião, sobretudo na indústria de alta tecnologia, viram-se paralisadas - uma lição sobre os perigos do outsourcing global. Toneladas de mercadorias se amontoam nos armazéns dos aeroportos, enquanto a primeira-ministra Merkel, obrigada a gastar três dias para voltar dos Estados Unidos à Alemanha, teve a oportunidade de meditar sobre as incertezas a que estão sujeitas hoje em dia até pessoas como ela. Histórias de perda, de desordem e de frustração como essas se repetiram pelo mundo inteiro.

Não se sabe, é claro, de onde virá a próxima confusão - mas não seria conveniente, talvez, prestar um pouco mais de atenção nessa Islândia? Raros países, na história mundial, criaram tão poucos problemas para os outros como a Islândia, simpática república do extremo norte da Europa que vive há séculos em paz, ordem e harmonia. Mas, nas duas últimas vezes em que se falou dela, não foi para o bem. Foi de lá, para a Europa, que vieram no final de 2008 os primeiros relâmpagos da tempestade financeira originada pelo subprime americano. Ela exporta, agora, os problemas do Eyjafjallajökull - um nome tão difícil de escrever ou pronunciar que os jornalistas, prudentemente, logo passaram a chamá-lo apenas de "vulcão da Islândia". Mera coincidência, sem dúvida. Mas neste mundo conectado não se pode garantir mais nada.

Fonte: Revista Exame.   www.portalexame.abril.com.br

 

A globalização tem seus percalços... vejam como uma situação num lugar está afetando o outro, na realidade econômica, e não apenas informacional. O mundo realmente ficou plano.

Profº Ms. Paulo Rosa

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vulcão na Islândia


 Fonte: http://www.caminhosgeologicos.rj.gov.br/pg_placa.php?p=20
 
A nuvem de cinzas que causou o cancelamento de voos em toda a Europa nesta quinta-feira veio de uma série de erupções de um vulcão em uma geleira na Islândia que começou no dia 20 de março.

Trata-se da primeira erupção desse vulcão em quase duzentos anos. De acordo com o site islandês de notícias Iceland Review, a última erupção na geleira de Eyjafjallajoekull durou dois anos, de 1821 a 1823.
Esta erupção provocou uma enchente, resultante do derretimento da geleira. Segundo o Iceland Review, há temores de que o mersmo ocorra de novo na região. Apenas outra erupção tinha sido registrada na geleira antes, em 1612.

O vulcão em Eyjafjallajokull está entre os maiores da Islândia e é um dos poucos do país que pode ser classificado como estratovulcão, um tipo muito comum no resto do mundo, formado por camadas. O vulcão tem 1.660 metros de altura e, a partir dos 900 metros, é coberto por gelo.

De acordo com informações na página do Instituto de Ciências da Terra da Universidade da Islândia, a nova fase da erupção do vulcão da geleira de Eyjafjallajoekull começou na meia-noite do dia 14 de abril, com tremores de terra e pequenas erupções, que foram visualizadas pela manhã.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100415_islandiavulcaofn.shtml

Fogo e gelo

De acordo com o especialista em meio ambiente da BBC Richard Black, a erupção ocorreu debaixo da geleira e a força combinada do fogo e do gelo liberou a poeira em uma coluna que subiu mais de dez quilômetros. Mas, apesar da altura, Black afirma que a quantidade total de volume de material liberado é comparativamente pequena.

Especialistas acreditam que a poeira vai se dissipar naturalmente na atmosfera, caindo gradualmente na superfície terrestre. Para Dave Rothery, especialista em vulcões na Open University da Grã-Bretanha, a situação deverá se acalmar.

"Não acho que a erupção acabou, teremos mais questões ligadas à lava (expelida pelo vulcão), o que vai ser bom para os turistas. Duvido que ocorra outra grande explosão, duvido que haja alguma outra enchente. Se a erupção continuar do jeito que está, acho que o pior já passou", disse.

Black afirma que vulcões são como um meio de vida para a Islândia, país que está localizado em uma região onde duas placas tectônicas se afastam uma da outra, com rocha derretida subindo, debaixo da superfície da Terra, para preencher as falhas.

 Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5469861,00.html?maca=bra-TWITTER-BR-2009-xml-mrss

Inundação e pastagens

Ólafur Eggertsson, fazendeiro de uma região próxima à geleira, relatou ao Iceland Review que sua fazenda foi atingida por uma enchente na tarde de quarta-feira. O rio inundou as pastagens e também trouxe lama.
Já em outra região próxima de Eyjafjallajoekull, fazendeiros e equipes de resgate estão recolhendo ovelhas dos campos devido à queda de cinzas causada pela erupção.

A fazendeira Sigurlaug Sigurdardóttir também relatou ao Iceland Review Online que na manhã desta quinta-feira estava tão escuro devido às cinzas que ele não conseguia ver a casa do vizinho. "Há uma névoa cinza cobrindo tudo. Os carros estão cinzentos", disse.

O Iceland Review relatou também que a maioria das 700 pessoas que foram retiradas da região da erupção na quarta-feira já puderam voltar para suas casas.

 
Fonte: BBC Brasil http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100415_islandiavulcaofn.shtml

segunda-feira, 22 de março de 2010

Terra está recuando no litoral da Paraíba


Em alguns pontos já se percebe o recuo efetivo da linha litorânea. Mas isso não fica nítido onde existem instalações de habitações humanas. A erosão é contínua. 

A invasão das águas do oceano sobre trechos do litoral paraibano – a exemplo das praias do Seixas e do Poço e em Baía da Traição – causando transtornos a moradores das regiões, vez por outra ocorre, principalmente em épocas de maré alta, causando preocupação, como se verificou no início deste mês de março. No entanto, o geógrafo, pesquisador e professor da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Paulo Rosa, defende uma situação, no mínimo, curiosa: a de que a terra é que está recuando e não o mar avançando. "Em alguns pontos, já se percebe o recuo efetivo da linha litorânea. Mas isso fica mais nítido aonde existe instalação de habitações humanas, concorrendo para que o litoral sofra erosão. A linha litorânea está recuando em função da ausência de sedimentos", disse ele, acrescentando já ter levado o problema ao conhecimento das autoridades, das quais não recebeu resposta, mas espera que ainda venham tratá-lo como prioridade.

O professor Paulo Rosa lembrou que chegou a elaborar um projeto, denominado de "Vulnerabilidade e prevenção de desastres ambientais e sociais na Paraíba", que levou ao conhecimento de autoridades locais e até federais. "Porém, não obtivemos respostas. Mesmo assim, tenho maximizado a informação na mídia, através da qual não tem existido o feedback esperado das autoridades, mas já se percebe forte preocupação por parte da população", disse ele.

 
Relevo da PB é dotado de duas grandes feições

Ao explicar de que forma o fenômeno estaria acontecendo, o pesquisador da UFPB afirmou que "a formação do relevo é uma contingência constante, pois o modelado é dinâmico, ora se forma ora se deforma. O relevo, aqui no território paraibano, é dotado de duas grandes feições: planalto (cristalino: Borborema, e/ou sedimentar, no caso da zona costeira). A característica fundamental do planalto é que, nesse lugar, há perda de material (sedimentos como areias, argilas e siltes), por conta das intempéries; e planícies, que ganham material oriundo dos planaltos. Porém, quando não há mais deposição, as planícies também podem perder materiais. No tocante à questão das planícies costeiras no litoral paraibano, principalmente no litoral ao sul da foz do Rio Paraíba, há um balanço negativo na questão deposicional. Acreditamos que o material oriundo do continente está ficando retido nas represas, por isso esse material não está mais sendo depositado no mar".

A percepção do problema ocorreu no final da década passada. "Por época da estiagem, entre 1998/1999, fotografamos o sistema Gramame/Mamuaba e percebemos que o nível d'água baixo deixou à vista uma grande quantidade de sedimentos ali depositados. Nos anos seguintes, as planícies do Seixas estavam perdendo materiais não apenas nas praias, mas a linha litorânea na planície também estava cedendo, em função da ação marinha. Essa situação ficou nítida com a supressão, pelo mar, da Palhoça do Seixas e outras situações similares naquelas planícies", relatou o pesquisador.
Segundo o professor, "o avanço e o recuo das áreas costeiras indicam uma relação constante. É um balanço no que se refere à questão de deposição ou retirada de sedimentos. As planícies, na costa paraibana, são relativamente recentes. Normalmente, quando a deposição é elevada, têm-se feições como as restingas de Cabedelo, do Gramame e também os pontões, como a Ponta de Lucena.

 
"Essa situação requer uma pesquisa com mais intensidade"

Paulo Rosa não tem ideia do tamanho do recuo da terra. "Essa situação requer uma pesquisa com mais intensidade, na coleta de dados. Para que isso seja feito", segundo ele, "são necessários recursos financeiros. O projeto que encaminhamos para o Ministério da Ciência e Tecnologia, infelizmente, não progrediu, e os dados que dispomos ainda não são significativos para que possamos apresentar diagnósticos com as quantidades efetivas, a não ser em relação a algumas edificações, que estão indo abaixo por conta da ação do mar". Para que se tente resolver o fenômeno, o pesquisador comentou que "é necessário o amadurecimento nas pesquisas e simulações, para que possamos ter ideia do comportamento do lugar no passado e, também, no futuro. Essa situação somente será possível com maior amadurecimento intelectual e político por parte dos cientistas e dos gestores".

O professor admitiu que, pelas observações já realizadas, a tendência desse fenômeno é continuar. "Percebemos que os recifes são vestígios de que o continente já esteve ali, naquele lugar, antes, depois cedeu à ação do mar. Hoje, as praias e as restingas são lugares construídos relativamente recente. Por isso, são muito sensíveis e sua ocupação é complexa". E lembrou que já houve consequências negativas por causa disso. "Há muitas edificações que ruíram, por conta da ação marinha, e outras estão, sintomaticamente, em zona de alto risco, já apresentando possibilidades de desabamento. As mais gritantes são as que estão na planície da Ponta do Seixas, Poço além de outras, que já estão sofrendo fortes agressões, por conta da chegada do mar".

Questionado sobre a possibilidade do aquecimento global estar, de alguma forma, contribuindo para essa situação na costa paraibana, o professor Paulo Rosa admitiu não ter trabalhado nessa vertente. "Isso requer simulações futuras, com supercomputadores, e não dispomos de material nesse sentido", justificou ele.

 

Fonte: jornal A União por Guilherme Cabral
http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&task=view&id=34723&Itemid=74