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Atividade de campo realizada no dia 07 de novembro de 2009 pela equipe: Profº Paulo Rosa, Conrad Rosa, Pablo Rosa, Maria Barros, Diego Valadares, Giovane Di Lorenzo, Ana Maria Ferreira e Rabá Sousa. O objetivo do trabalho foi verificar o processo erosivo de retirada de sedimento da área praial (planície costeira).
A praia do Poço esta situada no município de Cabedelo e faz divisa com a praia de Intermares (ao sul, em Cabedelo) e a praia de Campina (ao norte, em Cabedelo).
A área pesquisada esta localizada na compartimentação topográfica planície costeira (VIANA, 2009 , p. 47), área de contato entre o oceano e o continente. Este ambiente representa o local mais dinâmico da superfície terrestre, área de interface dos três domínios: atmosfera, hidrosfera, litosfera. Foi observado que as construções, bares e casas estão bem próximos do nível mais alto das marés (préamar), sofrendo o processo de erosão representado pela derrubada de diques, muro de proteção que foram construídos para barrar o avanço do mar.
Erosão dos bares na orla. Foto: Diego Valadares
Os sedimentos da praia (areia) apresentaram composição quartzosa e textura bem selecionada.
Areia da praia. Foto: Diego Valadares
Os ventos estavam com velocidade de 3m/s de orientação sudeste, a maré estava com amplitude de 2.08 metros, as ondas apresentaram aproximadamente 40 cm de altura e com formações bem próximas umas das outras. Segundo um morador (Manoel Taygi) o mar tem avançado rapidamente a partir de 1993. Antes desse período ele colocava uma cadeira em uma determinada parte da praia (pos-praia) e aproveitava a sombra de um coqueiro de 16,31 metros sem que a maré alcançasse esse local. Hoje o mar já alcança esse local. Manoel Taygi relata que próximo ao farol do porto, próximo à areia vermelha, existia um local de mergulho de profundidade de 9 a 10 metros. Hoje a profundidade verificada atingiu apenas 1 metro. O local foi preenchido por sedimento.
Foto: Diego Valadares
As 15h retornamos ao mesmo local e verificamos a altura dos coqueiros mais antigos da casa do senhor Taygi. Utilizamos esses coqueiros como ponto de referência para observamos as distâncias entre o mar e a praia. Concluímos que esta vem perdendo sedimentos.
Para realizarmos a medida utilizamos um clinômetro (instrumento que mede angulação de um objeto), trena (metros) e calculadora científica. A fórmula se expressa da seguinte maneira: (tangente do ângulo X distância do observador do objeto observado+ altura do olho do observador). Obtivemos as seguintes medidas: (Maria – 16,31 metros), (Diego- 14,26 metros), (Rabá -14,12 metros) (Ana Maria- 13,93 metros).
Referências:
VIANA, Alysom R. S. Zona de Proteção costeira no município de João Pessoa-PB. 2009. 72f. Monografia (graduação em Geografia). Centro de Ciências Exatas e da Natureza. Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.
Fonte: LABEMA, Acervo Paulo Rosa. Relatório escrito por Diego Valadares e Rabá Sousa.
Roteiros devem explorar pedras existentes em várias partes da cidade. Foto: Conrad Rosa
Apesar do clima marcado por longos períodos de seca, a Região dos Cariris Paraibano começa a ser percebida como um dos maiores potenciais turísticos do Brasil. Os atrativos são encontrados em toda a paisagem sertaneja. Os rústicos artigos de couro, fibras vegetais e algodão, associados à típica culinária regional têm mercado dentro e fora da Paraíba.
O planejamento turístico no Brasil sempre priorizou as regiões litorâneas. A oportunidade agora é revelar aos visitantes as curiosidades e a cultura do interior do País. O homem sertanejo, seus hábitos culturais e suas crenças religiosas integram o cenário turístico do Cariri e formam, juntamente com sua família mão-de-obra indispensável em um projeto de turismo sustentável regional. "O litoral já tem o roteiro conhecido. Agora é o turismo integrado, o regionalizado. Os turistas não estão querendo mais apenas sol e mar, eles vêem o vaqueiro, a rapadura, as pedras e querem conhecer a cultura do povo. O exterior fica encantado com o regionalismo", afirmou Romeu Lemos, Secretário Executivo de Estado de Turismo.
A partir de janeiro, o governo do estado vai implementar um programa para expandir o turismo no Cariri. Será o "Caminho das Pedras". Um roteiro integrado, trabalhando quatro focos: Turismo de aventura, gastronomia, pedras preciosas e arqueologia. O ponto de partida será Campina Grande. "Em janeiro, quando todos vêem para praia, Campina Grande fica vazia e os hotéis são os mais prejudicados. Durante os quatro finais de semana de janeiro, vamos colocar para funcionar o trem do forró para atrair visitantes", disse Romeu.
A estratégia da secretaria executiva de turismo da Paraíba é focar no turismo sustentável. Para isso, o governo do estado vai trabalhar com a produção de eventos e não de festas. "Não somos contra realização de festas com bandas de forró, mas esse tipo de acontecimento não traz renda para a cidade. Quando a gente trabalha com eventos organizados o turista vai para o lugar, consome e deixa dinheiro no comércio, diferente da festa quando os próprios moradores é quem gastam", explicou o secretário.
Romeu Lemos acrescentou que o objetivo do estado é tornar as pequenas cidades em roteiro para visitação rápida. "Elas ainda não têm condições de receber turismo, então vamos trabalhar com uma cidade maior, como Monteiro por exemplo, como polo para hospedagem. As demais incentivaremos as visitas rápidas, como é o caso de Camalaú", concluiu Romeu.
Cidade abriga inúmeros atrativos que podem conquistar os visitantes acostumados com as belezas do Litoral.
João Pessoa é famosa por ser o ponto mais oriental das Américas ou por praias como Tambaba e Coqueirinho, embora sejam localizadas no município do Conde. Mas, a Paraíba tem seus encantos muito além de seu litoral de águas calmas e areia fina. A última reportagem da série Desbravando o Cariri mostra o potencial turístico das pequenas cidades da região. A reportagem de O Norte "descobriu" no município de Camalaú lugares cheios de mistérios. Uma população com pouco mais de 5 mil habitantes, marcada pela hospitalidade de seu povo, guarda ambientes rústicos, ainda preservados, propícios ao turismo sertanejo.
Rios temporários, lajedos, formações rochosas, sítios arqueológicos e a caatinga com sua diversidade vegetal dão um tom peculiar à região do semi-árido. Um cenário digno de cinema. Esse é o Cariri paraibano, onde o isolamento e a aridez mantiveram conservados esses locais remanescentes de nossa pré-história.
Em Camalaú, os encantos vão além dos recortes geográficos. Para chegar a cidade o visitante tem de percorrer 22 km entre Sumé e Camalaú. A estrada de barro vai formando um risco no meio da mata cinzenta. Uma nova paisagem é revelada entre os contornos delineados pelas serras e formações rochosas. A cada curva uma surpresa. Os atrativos surpreendem os mais radicais aventureiros. Para entrar na cidade o visitante cruza um açude. A imensidão das águas o faz comparar com o mar. Várias ilhas dentro da bacia hidráulica dão um tom exótico ao ambiente. No final da tarde, lugar perfeito para apreciar o pôr do sol.
Por do sol visto do açude de Camalaú é um convite aos turistas para um contato raro com a natureza e as paisagens da cidade. Foto: Krika Melo
Na zona rural, segredos e mistérios de uma antiga civilização indígena que lá viveu. Visitar as pedras com pinturas rupestres é como descobrir um local sagrado. Manoel Messias conhece cada recanto daquele chão. Andando pela caatinga descobriu pinturas em diversas pedras. O primeiro contato com os registros lhe despertou a curiosidade, mas jamais imaginava o valor daquelas inscrições. "Comentei com um professor que tinha uns bonecos pintados na rocha ele veio e me disse do que se tratava. A partir daí comecei a me interessar pelo assunto", disse. A curiosidade fez de Messias o guia para visitantes. Depois do entendimento, o funcionário público não descansou até encontrar outros registros. E foram vários depois da primeira descoberta. "Nem sei mais a quantidade, acho que são mais de 40 pedras com essas pinturas, sem contar o cemitério de índios", relata.
Inscrições rupestres reafirmam potencial histórico a ser explorado. Foto: Conrad Rosa
No Sítio Roça Nova, uma pedra marcada por sinais deixados pelos primeiros povos que habitavam a Paraíba. O cotidiano reproduzido na rocha demonstra uma sequência do ato sexual. As imagens representam a evolução do homem que se preocupava em deixar evidência para outros povos. A cor avermelhada das pinturas é fruto de óxido de ferro, componente químico do sedimento. Ao lado da rocha, uma concavidade comprova que o lugar foi utilizado para fabricar a tinta. "Em Camalaú existe várias inscrições com padrões diferentes, sinal que haveria diversas tribos habitando aquele lugar", afirmou o arqueólogo Carlos Xavier, professor da UFPB. Os desenhos têm mais de 2 mil anos. Os atrativos são muitos. O trajeto pode ser feito a cavalo ou ainda, em uma bandeirante - um jipe alongado com três cabines.
A agressão permanente também atinge a mata ciliar que resulta na morte dos rios tanto no Cariri quanto na região litorânea.
Degradação dos solos e perda da mata ciliar causa morte dos rios no Cariri e o litoral paraibano é diretamente afetado. A informação é do professor da UFPB, Paulo Rosa, especialista em desastres naturais. Na terceira matéria da série Desbravando o Cariri, O Norte relata o desgaste dos ribeiros na região do semi-árido devido a destruição das matas ciliares e outras conseqüências procedentes da ação do homem.
Os rios são considerados o mais efetivo agente modificador da paisagem. O geógrafo e professor da UFPB, Paulo Rosa, explicou que o curso da água é responsável pelo transporte de todo o material sólido e solto que esteja disponível (sedimentos) até os oceanos. Quando há uma interrupção do fluxo, naturalmente essas fontes não conseguem chegar ao destino final e provoca um afundamento no nível da praia, consequentemente as ondas marítimas avançam sobre a costa. "Quando você faz um barramento de um rio, é quebrada a competência hidráulica, erosiva e de transporte do rio", explicou, alertando para o risco da água "estourar" mais adiante no seu percurso.
Rio Sucuru, em Sumé, é constantemente agredido devido aos despejos de dejetos e à proximidade de olaria. Foto: Conrad Rosa
De acordo com a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) o estado tem mais de 7,5 mil rios e riachos, de pequeno, médio e grande porte. Muitos deles são assoreados, poluídos e oferecem risco de contaminação para as famílias que são abastecidas pelas suas águas ou que se alimentam com os peixes. As comunidades ribeirinhas são apontadas como os principais agentes contaminadores. Atividades como fabricação de tijolos e telhas, criação de animais nas margens das vazantes, entre outros fatores, provocam o desmatamento da área e favorece o despejo de materiais poluentes.
A cidade de Sumé, a 250 km de João Pessoa, é cortada pelo Rio Sucuru, confluente com o riacho São Tomé. Durante a rota pelo Cariri Ocidental, a reportagem de O Norte observou famílias trabalhando em olarias, animais pastando e despejo de esgotos no leito. A situação não é peculiar apenas do município de Sumé. Um pouco adiante (sentido Cariri ao litoral), em São João do Cariri, nas margens do Rio Taperoá outra paisagem, desta vez quase não se vê vegetação. Um rio de areia demonstra o assoreamento da área, além disso, algumas cacimbas foram cavadas no leito - estratégia dos moradores para o período de seca.
A mata ciliar é uma das formações vegetais mais importantes para a preservação da vida e da natureza e, também protege as margens dos cursos d'água. Cybelle Frazão, diretora presidente da AESA, esclarece a importância da vegetação para os rios. "Assim como os cílios protegem os olhos, a mata ciliar serve de proteção aos cursos d'água. Quando chove, a mata ciliar também impede que uma quantidade muito grande de água caia de uma vez só no rio, e assim evita as enchentes", explicou.
Atualmente, o Código Florestal, uma lei federal, exige a preservação da mata ciliar. A lei é clara, mas a falta de informação e conscientização do produtor rural ainda é uma barreira para sanar a degradação das áreas de preservação permanente. A caminho do sítio Roça Nova, no município de Camalaú, vários riachos. O cenário é o mesmo. Muita areia, pouca vegetação. As estradas se cruzam com as bacias hidráulicas. A principal delas: Rio Paraíba - o mais importante do estado percorre aproximadamente 300 km da nascente na Serra de Jabitacá em Monteiro até o litoral. Em alguns trechos, currais para criação de animais. As áreas cercadas por estacas e até mesmo com arame farpado formam uma barreira no leito do rio.
Fortes correntezas abriram crateras de até 3,70 metros de profundidade e deixaram cerca de cinco mil pessoas ilhadas, sem energia, nem comunicação. Essa situação foi vivenciada pela população de Camalaú, a 332 km de João Pessoa. Entre os meses de maio e julho deste ano o alto índice de pluviosidade assustou os moradores. Essa é a segunda reportagem da série "Desbravando o Cariri". O Norte vai relatar a situação das estradas que dão acesso ao município de Camalaú e as condições do açude que abastece a cidade depois de um inverno rigoroso.
AESA alerta que desafio é conscientizar a
população para não invadir áreas de inundações, como os reservatórios.
Foto: Krika Melo
Uma vegetação resistente a um período prolongado de secas, mas solos frágeis à intensidade das chuvas. Essa característica é peculiar da caatinga. No verão, a vegetação se recolhe. A estratégia natural de sobrevivência é derrubar as folhas para evitar a evaporação de líquidos e minimizar o gasto de energia. Momento em que o verde imponente dá lugar ao cinza no cenário árido do Cariri. Basta o anúncio de água, logo as plantas se recompõem com a mesma bravura. O problema está nos solos. Quando as chuvas passam do limite a terra seca não suporta o fluxo da água e abre fendas, muitas vezes crateras. Esse processo modela a paisagem do semi-árido a cada inverno. Este ano o excesso das chuvas deixou a população impressionada. Os contornos das rochas, delineados pelas fortes correntezas, denunciam o quanto o período foi assustador.
Pela primeira vez, depois de 28 anos construído, o açude Zé Tourinho (açude de Camalaú), transbordou. "Ninguém imaginava que ia acontecer isso. Agente só via uma cena como essa na televisão. Foi uma bela de uma surpresa", relatou emocionado Manoel Messias de Oliveira, morador da cidade. A força da água causou estragos numa faixa de terra de aproximadamente 300 metros. Nas rochas, a marca da energia causada pela correnteza. Buracos imensos se formaram nas pedras e parte da estrada que dá acesso à cidade se rompeu. A tragédia poderia ter sido pior caso o prefeito da cidade não tivesse recebido o alerta do professor da UFPB, Paulo Rosa. "Numa visita anterior pude observar que se houvesse transbordamento da barragem, o sangradouro não iria suportar o volume da água e haveria uma inundação de grande parte de terras. Então, o prefeito mandou desviar o canal de transbordamento e evitou um estrago maior", afirmou.
Trincheiras foram abertas devido às fortes chuvas registradas na região. Foto: Conrad Rosa
Cybelle Frazão, diretora presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), afirmou que um dos maiores desafios do órgão é conscientizar a população a não invadir as áreas de inundações, o que ocorre na maioria dos reservatórios do estado. A AESA monitora 123 açudes em todo o estado. "O caso específico em Camalaú é que a cidade aproximou-se do açude e construíram a estrada dentro da bacia hidráulica. Devido as intensas chuvas no curto espaço de tempo, a AESA ficou em alerta permanente, inclusive, percebemos a necessidade de abrir as comportas para evitar a destruição da estrada, mas a população nos impediu", alegou.
Aninha, aproveitando o tempo antes da equipe de reportagem chegar, aplica sua pesquisa sobre os rituais funerários em pleno dia dos finados, no cemitério do Cristo. Munida de prancheta, questionários, caneta e máquina fotográfica, nossa especialista em cemitérios quase perde seus registros quando, buscando um melhor angulo para fotografar os túmulos do local, surgem mãos que tomam sua máquina. Como era um dia movimentando, havia forte policiamento no cemitério e a polícia consegue prender o gatuno e devolve a máquina fotográfica à Aninha. Ainda bem que salvaram os registros da excitante pesquisa de Aninha que, mesmo nervosa pelo ocorrido, cedeu a seguinte entrevista:
Demarcação de espaços em cemitérios e a forma de enterrar os mortos tem relação com status.
No interior das cidades há outras cidadelas, organizadas mais ou menos como um município, com ruas, distinção de classes sociais, moradores que podem sofrer ações de despejo. São locais que demandam todos os serviços que uma cidade precisa como limpeza, iluminação, segurança, saúde, saneamento. E que também enfrentam problemas com violência, vandalismo e depredação. No entanto, os habitantes destas cidadelas estão numa condição diferente. Mortos, apenas seus ossos jazem nos cemitérios.
Um assunto não muito confortável para ser tratado, por envolver sentimentos de saudades, ausência, ou questões eternamente discutidas, a morte é a única coisa certa para todos os seres viventes. E depois de passar por uma vida onde cada um tem suas experiências e aventuras, o caixão será a morada do corpo que não respira mais.
Contudo, as informações mais intrigantes trazidas por ela provém de pesquisas realizadas para o trabalho de conclusão de curso de Geografia. Os cemitérios de João Pessoa são o foco dos estudos e conforme suas declarações, através das ornamentações dos túmulos é possível identificar uma série de pormenores a respeito da crença da pessoa enterrada e de seus familiares, da posição social, o que se estende aos hábitos dos rituais funerários da sociedade no decorrer dos tempos.
Ana Maria desenvolveu pesquisas sobre os rituais funerários na capital. Foto: Conrad Rosa
Em João Pessoa onde mais se evidenciam estes detalhes é no Cemitério Senhor da Boa Sentença que foi fundado em 1856. Ana Maria atentou para a existência de mausoléus na Alameda Principal que correspondem ao alto poder aquisitivo das famílias. Esta alameda foi tombada pelo Patrimônio Histórico há mais de 50 anos e contém estátuas e esculturas consideradas obras de arte.
Nas ruas adjacentes e laterais, as pompas vão diminuindo até chegar no ponto onde se encontram as covas rotativas, que todo o cemitério precisa disponibilizar por lei. Nesta periferia são enterradas pessoas sem condições financeiras de bancar um espaço mais nobre e após dois anos, caso os familiares não compareçam ao chamado da administração do cemitério, os restos mortais são transferidos para ossários, devidamente identificados. "É como se fosse uma ação de despejo. Se não é pago o aluguel o morador deve ser retirado para a cova ser ocupada por outro", compara Ana Maria. Se após mais dois anos não houve procura pela família, os ossos são ensacados e transferidos para um terceiro local. Daí, em dois anos depois da terceira transferência, os restos mortais são destinados como lixo hospitalar.
Como uma cidade que se preze, no Boa Sentença são realizadas manifestações religiosas, há o problema da frequência de bandidos e consumidores de drogas, são realizadas ações preventivas de combate à dengue pela prefeitura, a limpeza do local é mantida a cada aproximação de datas especiais, e muitos visitantes chegam para relembrar seus entes queridos que partiram. Segundo Ana Maria, além da missa católica feita na capela do cemitério, há um espaço destinado aos cultos africanos. Rituais funerários
Entre os séculos XVIII e XIX, a pessoa que tinha poder aquisitivo era "solicitada" a fazer um testamento em vida para a igreja católica destinando parte de seus bens à instituição a qual, por sua vez, argumentava que determinado valor do que recebia destinava aos pobres e o restante serviria para pagar as custas do velório. Nessa época eram contratadas as carpideiras, mulheres que compareciam apenas para chorar. Também os sineiros, encarregados de tocarem o sino desde o começo até o final do enterro, e pessoas para aumentar o número de presentes, pois quanto mais frequentado o velório, mais rico representava ser o defunto.
Os sepultamentos eram feitos ao redor e no interior dos templos. Quanto maior a doação, mais próximo à nave central da igreja o corpo era enterrado. Cria-se que quanto mais perto dos santos e do altar, mais próxima a alma estaria de Deus. Os praças, (brancos pobres), índios e negros, eram enterrados do lado externo, fora do âmbito sagrado. Homens e mulheres eram separados ficando cada sexo em um lado. As mulheres em direção ao leste, pois por darem à luz, associava-se a imagem feminina ao sol nascente. Os homens ficavam no lado oposto, no poente, pois suas ações e atitudes em vida eram consideradas perversas e obscuras.
Segundo Ana Maria, tudo isso pode ser observado na Igreja da Misericórdia. São 362 anos que guardam estas e outras histórias. O cemitério na área externa da igreja ficava na Rua Duque de Caxias. Durante a construção da via os túmulos foram transferidos para o Senhor da Boa Sentença. No interior da igreja ainda há lápides no solo e nas paredes. Com o tempo as doações foram diminuindo até desaparecerem por completo.
Fonte: jornal O Norte por Marcia Dementshuk.
Professores da UFPB questionam o termo atribuído à região. O problema seria a degradação do solo.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 67% do solo de toda a área do Cariri é considerada totalmente infértil para a produção. Foto: Conrad Rosa
Cariri. Uma região marcada pela seca, mas resistente aos castigos da natureza. Essa é a primeira reportagem da série Desbravando o Cariri. Resultado de uma expedição de O Norte pelo Cariri Ocidental. A região é apontada como um dos destinos paraibanos a se tornar deserto em poucos anos. É o que prevê vários estudos divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente. Segundo relatório da Fundação Oswaldo Cruz, pelo menos 67% da região está com áreas totalmente infértil. Os dados são alarmantes, mas essa não é a realidade observada por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba.
A reportagem de O Norte, acompanhou o trabalho de campo de professores, estudantes e pesquisadores do departamento de geografia da UFPB. O roteiro incluiu São João do Cariri, Serra Branca, Sumé, Camalaú e Congo. Foram cerca de 700 km percorridos do litoral ao Cariri. No trajeto, várias paradas, mas nenhum vestígio de deserto foi identificado pelos geógrafos. A presença de raposas,saguis, pássaros de diversas espécies e a diversidade da vegetação foram os aspectos observados para descartar a hipótese da área se tornar um deserto, como afirmam alguns gestores.
A simplicidade do homem do campo, quase sempre confundida por miséria e fragilidade humana, tornou-se fonte para recursos oriundos de bancos mundiais no século passado. O fenômeno natural que assola a região alimentou o que alguns críticos chamaram de "indústria da seca" - termo utilizado para designar a estratégia de alguns políticos que aproveitam a tragédia da seca na região nordeste do Brasil para ganho próprio. A mesma "oportunidade" parece se repetir. Segundo alguns estudiosos, o mote agora é a desertificação. "Não há áreas desertas, existe sim, degradação dos solos. Na verdade, querem substituir a 'indústria da seca' pela indústria da desertificação", afirmou Maria José Vicente Barros, geógrafa, mestre em agronomia e consultora ambiental.
Recentes estudos divulgados pelo governo federal, através do Ministério do Meio Ambiente, apontam o semi-árido nordestino como a região problema. Pelo menos 75% do seu território está afetado pelo processo de desertificação, especialmente o Cariri. José Roberto de Lima, Coordenador da Ação Nacional de Combate a Desertificação e Mitigação das Secas, vai além. Durante um treinamento de gestores da área, realizado em hotel no litoral sul da paraíba, ele apresentou um diagnóstico alarmante. "A Paraíba perde por ano pelo menos 3% de sua vegetação. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz mostra que até o ano de 2035, 67% do Cariri e Curimataú estarão semi-deserto", relatou.
É verdade que os dados são preocupantes. Porém, há controvérsias. Roberto Germano, diretor do Instituto Nacional do Semi-Árido, vai na mesma linha de pensamento levantada pela geógrafa Maria José. Ele afirmou desconhecer qualquer tipo de pesquisa científica que comprove desertos no nordeste brasileiro. "O Ministério da Ciência e Tecnologia reconhece áreas desmatadas ou apresentando queda de produção agrícola, mas é precipitação falar em números tão altos de desertificação", disse.
Fonte: jornal O Norte por Jailma Simone. http://www.jornalonorte.com.br/2009/11/01/diaadia5_0.php
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